domingo, junho 13

Encontro de Valores



A música é, normalmente, uma via de encontro e de partilha de sensibilidades, vivências e valores comuns.
Pela música, deixamo-nos contagiar por tudo o que ela transmite... desde a melodia, à mensagem, passando pelos instrumentos, arranjos, interpretações, ritmos...
Por Vila do Conde, passou este fim de semana o Ollin Kan, um festival que expressa um eco de apelo a esse valor tão nobre - mas às vezes, com fronteiras tão difíceis de definir - que é a liberdade. E este Festival apela mesmo a essa partilha do comum, desse grito de liberdade, que, independentemente da língua, do credo, da cultura, procura sempre encontrar forma de ecoar para lá das barreiras, procura sempre rasgar as paredes que a tentam enclausurar em si mesma.
Qualquer que seja a origem desse eco, é engraçado como as dinâmicas das músicas, dos estilos se tocam entre si, dando espaço a que interajam nas formas de interpretar, e num abraço cheio de força, cheio de energia, se façam ouvir fundidas umas nas outras. Os grupos que subiram aos palcos neste festival, transmitiram isso mesmo: essa capacidade de abraçarem, num momento musical singular, de sons e ritmos justa-postos mas que encontram na força da mensagem que querem passar a união indissociável que mexe connosco, que não nos deixa na letargia do tempo ou do espaço.
É admirável como nos deixamos dominar por esta energia libertadora e a pulsação se eleva em consonância com o ritmo das sonoridades.
É certo, que mais facilmente nos podemos deixar levar se partilharmos por completo de outros espíritos, vivências, práticas (se não mesmo, rituais) que acompanham por vezes estes valores ... um espírito que nem sempre projecta uma imagem real da mensagem subjacente ... os aromas que sentiam no ar, falam por si (literalmente :), e que trazem, por vezes, uma visão ilusória do todo - desgarrada do caminho, do horizonte ou dos meios... Mas mesmo que mantenhamos "os pés assentes no chão", é impossível ficar indiferente a toda a corrente que a música as palavras geram em nós.
Pessoalmente, e procurando enquadrar toda esta experiência - que eleva particularmente o valor da liberdade - na matriz de valores que me alicerça, há um efeito extremamente terapêutico da VIVência que ela transmite. Há um puxar para cima, para a vontade de ir à 'luta' em cada dia, de fazer brilhar interiormente o escudo de sol que desponta connosco em cada dia. E não importa o cansaço nas pernas e nos olhos pois há algo lá dentro que reencontra o seu vigor.






video & photos: emlino 2010

1 Comments:

Anonymous Isaías said...

Boa música, boas imagens e textos.
Gostei da visita. Parabéns!

16 junho, 2010 00:14  

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